GINA DINUCCI
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ARTISTAS SÃO TRABALHADORES, 2023-2026
Faixa em tecido
600 cm x 160 cm

Na lógica capitalista neoliberal, a precarização do trabalho é uma constante, que busca acima de tudo individualizar responsabilidades antes assumidas pelos empregadores. O não reconhecimento como classe reflete-se principalmente no desmonte de coletivos e resistência sindical e da auto exploração como prática aceitável e necessária para sobrevivência. Nesse movimento, a precarização consolida-se como característica estrutural do trabalho contemporâneo.
No Brasil, estamos presenciando a situação do trabalhador se deteriorar dia a dia, principalmente após a reforma trabalhista em 2017, que culminou em perda de direitos e aumento da informalidade. A falácia de que o trabalhador atrapalha o andamento da economia porque possui muitos direitos foi amplamente aceita e transformada em uma espécie de mantra neoliberal repetido até nas classe trabalhadoras mais atingidas.
Há muito tempo a precarização ataca o universo do trabalho, mas o trabalhador do campo das artes nunca esteve em outro lugar, senão neste contexto. Em grande parte da história da humanidade, o imaginário acerca do artista envolve a romantização de sua atuação na sociedade, como alguém excepcional, que movido por uma força criativa realiza um trabalho que o distingue das demais categorias de seres humanos. É certo que o campo das artes necessita ser compreendido por suas especificidades, mas atribuir ao artista a alcunha de “especial” vem se mostrando uma espécie de estratégia para não considera-lo um trabalhador comum.
Vínculos informais, trabalhos intermitentes, contratos duvidosos, disputas meritocráticas, baixa remuneração, editais super concorridos, pejotização, acúmulo de funções e insuficiência de políticas públicas assombram o universo do artista e refletem a vulnerabilidade de suas condições, atingindo também toda a cadeia da categoria.
Ser artista no Brasil (quando não se tem o privilégio de ser abastado economicamente) é viver num contexto de precarização de suas condições de trabalho, sendo cada vez mais um explorador de si mesmo.

imagens: Leandro Nunes
performers: Gina Dinucci e Marcio Marianno
assistente produção: Cassia Perez
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